Thursday, November 15, 2012

Proclamação da Republica e Benedito Calixto de Jesus


Hoje é feriado aqui no Brasil, dia 15 de novembro dia em que se comemora a Proclamação da Republica.

Desde os primórdios da nossa jornada acadêmica, nos deparamos nos livros de história com a pintura do dia da Proclamação da Republica que é do pintor  Benedito Calixto de Jesus e aposto que poucos seres se perguntaram: Afinal, que é Benedito Calixto de Jesus?
Benedito Calixto de Jesus é esse ai da foto  abaixo  e para não tomar o tempo do feriado de vocês serei sucinta e em outra ocasião volto a falar nele e nas suas obras.
Benedito Calixto de Jesus foi um brasileiro nascido Itanhaém no dia 14 de outubro de 1853 e morreu em São Paulo, 31 de maio de 1927.


Ele foi pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo amador.
È um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século XX, ao contrario de muitas pessoas dessa época que ia para Paris para estudar Arte, ele foi autodidata começa seus primeiros rabiscos ainda criança, com oito anos de idade.

Quando fez 16 anos mudou-se para Santos onde sua vida não foi nada fácil e ele pintou muros e placas de propaganda para sobreviver. Era uma pessoa alegre e comunicativa e isso ao ajudou muito  em sua vida e com isso ele fez grandes contatos.


Auto-retrato-1923.Técnica:Óleo sobre tela - 50 × 40 cm Museu de Arte de São Paulo

Foi ele quem pintou a famosa tela da Proclamação da República e tem um toque bem fiel a imagem do dia no que diz ao local e as pessoas.

O local exato da Proclamação da República era chamado de Campo da Aclamação, pois ali Dom Pedro I muitos anos antes havia se aclamado Imperador do Brasil; depois disso, passou a se chamar Praça da República, pelas razões obvias.Essa praça fica na cidade do Rio de Janeiro. Brasil

A mensagem do quadro está fiel ao acontecimento, pois só havia militares presentes no momento da Proclamação da República.
Agora, a situação de tensão retratada na pintura é só para dar um charme ,movimento e emoção, pois não corresponde à realidade. È que  não houve resistência ao ato do Marechal Deodoro da Fonseca e a familia Real que estava de acordo, estava em Petrópolis , na mordomia....
 Além disso, apesar de, nesse momento, a presença ser exclusivamente das fileiras militares, é importante que fique claro que a queda da Monarquia só pode ser compreendida como projeto de uma parcela do Exército, das classes médias urbanas e dos fazendeiros do Oeste Paulista, em face do enfraquecimento das oligarquias tradicionais e do desprestígio da Monarquia.Compare com imagens fotografadas da época .


No ano seguinte a proclamaçao o povao se reuniu para comemorar na frente do palácio do governo.
  
 E 3anos  depois os militares reproduziram a formação do dia da proclamação para essa imagem abaixo   .

!  

È isso ai!
Òtimo feriado! 
Beijos da Nana.

Wednesday, November 14, 2012

14 de Novembro é Dia de Monet

                                       Mulher com Sombrinha de Claude Monet
E eu simplesmente o amo .
Vejam, que a luz intensa e ofuscante do meio-dia e a brisa evocam os mais delicados encantos, sentidos.Dá para imaginar o cheiro de maresia,o som do mar, o sal no ar, tudo claro,tudo sol. Tão verão...
Nessa mistura de elementos encontramos as formas essenciais da mulher,dentro de um espiral,um redemoinho de rendas,fitas e a seda farfalhante, que mesmo denso, por causa de


tantas camadas de tecido, tem um frescor que me remete a um delicioso e cremoso sorvete, daqueles feito em maquinas antigas .Tudo isso se mistura e confunde com as nuvens .
Tudo sob os olhos atentos de um menininho la atras que pode ser também os olhos doces do menino que a pintou...
Título:Mulher com Sombrinha de Claude Monet
Responsabilidade e impressao nada didatica e totalmente emocional de alguem louca por sorvete e Monet , não necessariamente nessa ordem: eu mesma .

Monday, November 12, 2012

Salvador Dali e Disney

Quer fazer uma  viagem  animada ao mundo de Dali?  Assista o vídeo  e depois leia..

O filme conta a história de Chronos, a personificação do tempo e da incapacidade de realizar seu desejo de amor por uma mortal.
 As cenas desse curta metragem misturam uma série de pinturas surreais de Dali com dança e metamorfose. A produção começou em 1945, 58 anos antes de sua conclusão e foi uma colaboração entre Walt Disney e o pintor surrealista espanhol, Salvador Dalí. Salvador Dali e Walt Disney foi o destino produzido por John Dali e Hench por 8 meses, entre 1945 e 1946.
 Dali, na época,foi  descrito por  Hench como uma "figura fantasmagórica" ​​que sabia melhor que Dalí  os segredos do filme da Disney.
 Por algum tempo, o projeto permaneceu em segredo.
 O trabalho do pintor Salvador Dali era preparar uma animação seqüência de seis minutos combinando com dançarinos ao vivo e efeitos especiais para um filme no mesmo formato de "Fantasia".
 Dali no  estúdio trabalhando nos personagens da Disney que  estão lutando contra o tempo, o relógio gigante que emerge da face de pedra grande de Júpiter e que determina o destino de todos os romances humanos.
Dalí e Hench estavam criando uma técnica nova  de animação, o equivalente cinematográfico de "crítica paranóica" de Dali.
 Método inspirado na obra de Freud sobre o subconsciente e a inclusão de imagens ocultas e dupla.

O interessante de notar é a diferença de foco de opiniao de Dali,o artista e a Disney, a empresa que visava lucros. Dalí disse: "entretenimentos  destacam a arte, suas possibilidades são infinitas." O enredo do filme foi descrito por. Dalí como "A exibição mágica do problema da vida no labirinto do tempo."
Enquanto isso Walt Disney  friamente disse que foi "Uma história simples sobre uma jovem garota em busca do amor verdadeiro."
Pois é..

Aniversário de Auguste Rodin

Posto hoje frases do grande mestre escultor 








Não há como lembrar de Rodin, sem falar de Camille
Camille engravida de Auguste Rodin , seu mestre,professor ,amante, amor de uma vida toda e que era casado e jamais a assumiu e isso a extenuou em todos os sentidos e pode ter sido uma das razões de sua" loucura" .
Como era costume , quando acontecia esse tipo de coisa,(gravidez fora do casamento),Rodin a enviou de “férias” para o interior,Foi deixada aos cuidados das “fazedoras de anjo”.
Toda dor da perda de seu bebê fica estampada nessa delicada obra que se chama: “A Pequena Castelã”.
Aos olhos do irmão Paul, em uma mulher “impura e suja”.
Dificil ser mulher hoje em dia,imagina no final do século XIX



"D'absent qui me tourmente" -
"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta "
Fragmento de uma carta escrita por Camille Claudel a seu grande amor, Rodin, em 1886.
Na imagem abaixo: Camille Claudel (1864-1943) 
Trabalhando no Museu Rodin
(foto de William Elborn)




Monday, October 29, 2012

Senta que la vem a história : Desenredo


“O verdadeiro pode às vezes não ser verossímil.”
                                          (BOILEAU, A arte poética)


Antes de tudo, para fazer uma  trilha sonora, clique no video, e enquanto  estiver ouvindo essa pérola da musica popular brasileira, leia a historia que eu tenho para te contar 

.
Essa é  uma historia  delicada e de rara beleza .
Uma história de amor incondicional.
Do amor que todo mundo gostaria  de ter para si.
O amor que tudo pode, tudo suporta, tudo crê , compreende, aceita, redime e restaura o outro e a si mesmo.
Na verdade é um  conto e o protagonista e herói dessa historia se chama  Jó Joaquim.
O nome Jó nao foi escolhido por acaso, pois a paciência foi uma das "ferramentas desenredantes" do nosso conto.
Jó Joaquim (...) "era quieto, respeitado, bom, como o cheiro de cerveja."
Acontece que, como o ser humano é cheio de falhas e fraquezas, ele caiu de amores por uma mulher casada e  esta era notoriamente infiel.
 Ela era "bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão".
O nome da mulher dessa historia  é trocado varias vezes durante o conto com a mesma rapidez que ela trocava o jeito de ser.
Durante  esse relacionamento  ocorre um trágico acontecimento que  muda de vez a historia dos dois amantes: o marido dela morre e Jó , que a amava muito,casa-se com ela , a abriga e ampara mesmo sabendo  da reputação péssima que tinha ...
Ai que começa a verdadeira historia de amor de Jó e a mulher que troca de nome...
Jó , tendo a mulher tão má afamada,numa espécie de peregrinação ,por onde passava falava a todos sobre as virtudes de sua amada esposa .
Com carinho redesenha a fama da mulher .
Por amor, ele passou por cima dos erros dela e começou num processo de "descalunização" de sua moral.
Por onde passava  dizia a todos com muita  certeza  que ela jamais teve amantes, que  sua esposa era bondosa,correta,  pura e fiel .
Jó  afirmava  com tanta verossimilidade  sobre essa mulher que ele  desenhava para os outros que  ao contar  de suas qualidades. as  que ele mesmo havia inventado,  começou a acreditar em sua própria criação.
Com o tempo , o fato dele mesmo acreditar no que falava,deu credibilidade ao seu sonho e tudo começou a fazer sentido para ele e para todos que eventualmente  falavam mal dela , a hostilizava.
O povo do lugarejo , aquele tipo que adora um assunto da vida dos outros para falar ,começou a diminuir as fofocas e intrigas  sobre a mulher,, afinal ,  a pessoa que  deveria ser mais afetado por seu comportamento  só tinha elogios pra fazer a ela... Falar o que? fazer o que?
Com o passar do tempo, as pessoas foram  digerindo  as novas informações que o marido dava sobre a esposa e as coisas foram mudando.
A mulher que  trocava nomes foi aos poucos adquirindo respeito dos que a rodeava  e pode observar que sua imagem,   que sua pessoa agora era outra.
Agora  não era somente os outros  a viam diferente,sua fama havia  mudado.
As pessoas conseguiam ver suas qualidades , as  inventadas e que eram tão  afamadas pelo marido e ela, ficou tocada por tão grande amor, que, para fazer jus à fama da versão que o marido havia inventado,  se transformou verdadeiramente na mulher idealizada por Jó.
Jó Joaquim com amor  desmedido fez o (Des) enredo da historia de sua mulher, uma pessoa  com a vida cheia de enganos e  assim, criou um novo enredo  para os dois e com final feliz...
 "DESENREDO" um conto maravilhoso integrante de Tutaméia-Terceiras estórias de Guimarães Rosa.
Isso não é lindo? esse conto  inspirou a maravilhosa música de Dori Caymmi e Paulo Cesar Pinheiro  com o mesmo nome :Desenredo .
Guimarães bate bem fundo no meu coração, pois nasci lá pelas bandas das veredas dos "grandes sertões" que ele tanto fala... Guimarães me lembra minhas origens, meus pais, parte de minha historia.


Wednesday, October 24, 2012

Moda e Arte .

O desenho de Leonardo da Vinci, de 1497 e a bolsa produzida em 2012

Sabiam que uma grife italiana produziu uma bolsa criada por Leonardo da Vinci?

Desenho  acima da bolsa de mão é datado de 1497 e está exposto em Vinci, na Itália
 O pesquisador Carlo Pedretti,em 1978, especialista  nas obras de Leonardo da Vinci, encontrou, entre milhares de trabalhos em  desenhos e rascunhos do artista, alguns croquis de acessórios de moda.
Desenho do  final do século 15, mostra uma bolsa cheia de arabescos e recortes, arrematados por um delicado fecho  com linhas  rococó.
O design  requintado atraiu  a atenção da grife de acessórios Gherardini,que foi  fundada por uma família que diz ter o sangue de La Gioconda  correndo nas veias.
Com sangue da Monalisa ou não,  diante de desenho com linhas tão interessantes  e a  Gherardini decidou  dar forma à bolsa seguindo o padrão e as ideias de Leonardo da Vinci.
Veja aqui como foi feita a  montagem do acessorio
.http://www.youtube.com/watch?v=dpRmmJbyfCk&feature=player_embedded
A peça recebeu o nome  de “Pretiosa di Leonardo” (“Preciosa de Leonardo”), a bolsa de couro foi exposta no incio do mes de outubro desse ano  na feira de tendências Pitti W, em Florença.
Apos essa primeira  aparição  , a bolsa  feita a partir do desenho de Leonardo Da Vince  provavelmente ganhará uma exposição permanente , ao lado de seu croqui, no museu Ideale, localizado  na cidade de Vinci, na Itália.
 Que mulher não gostaria de uma bolsa cheia de estilo dessas?

Tuesday, October 23, 2012

Alfonsina Y El Mar




"Pela branda areia que lambe o mar sua pequena pegada não volta mais
Um caminho sozinho de pena e silêncio
chegou até a água profunda
Um caminho sozinho de penas mudas chegou até a espuma
Sabe Deus que angústia te acompanhou que dores antigas calou tua voz
Para recostar-se embalada no canto as conchas marinhas
A canção que canta no fundo escuro do mar
A concha
Te vais Alfonsina com tua solidão.Que poemas novos fostes buscar?Uma voz antiga de vento e sal te elogia a alma e a está levando.E te vás até lá como em sonhos
Dormida, Alfonsina vestida de mar
Cinco sereias te levaram por caminhos de algas e coral e fosforescentes cavalos marinhos à vontade.Uma ronda a teu lado
E os habitantes da àgua vão jogar logo ao seu lado.
Baixe a lâmpada um pouco mais deixe que durma Enfermeira, em paz ...
E se ele chama não diga que estou diga-lhe que Alfonsina não volta
E se ele chama não o diga que estou de que estou indo.
...
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar"
 Imagem:  Artwork by Cristina Bazolli

Esse texto é uma  tradução do poema da musica Alfonsina Y El Mar que foi inspirada no proprio poema postumo dela chamado Vou a Dormir...Foi gravada a promeira vez no album de Mercedes Sosa :Mulheres Argentinas em  1969.
A mulher que Mercedes Sosa se refere  na musica composta por Ariel Ramirez e Feliz Luna é Alfonsina Storni ,poetisa.Chamaram-na Alfonsina, e dizem que o nome significa :"disposta a tudo".Nasceu na Suiça mas em 1896 imigrou com os seus pais para a província de San Juan na Argentina.
Quando Alfonsina tinha 12 anos,  escreveu seu primeiro poema centrado na morte e o deixa sob a almofada de sua mãe que ficou profundamente  contrariada   com o tema, dizendo que a "vida é muito bela para aquilo".
O poemas de Alfonsina Storni são cortantes ,certeiros e determinados, como ela era .
Pode -se dizer que ela comparada a sua época, poderria  ser considerada  uma feminista pois estava a frente de seu tempo e já fazia   indagações sobre a condição da mulher na sociedade.
Teve aos  20 anos tem seu único filho, Alejandro,  companheiro inseparável. Quando lhe  perguntavam a  esse respeito ela dizia: "Eu tenho um filho fruto do amor, do amor sem lei."
Em 1935 descobriu que era portadora de um câncer no seio e para complicar seu estado de espirito  o suicídio do amigo Horacio Quiroga, em 1937, deixa-a profundamente abalada.
Em 1938, três dias antes de se suicidar,saltando  no mar no cais de Mar Del plata ela  envia de um hotel desta mesma cidade , para um jornal, o soneto, Vou a Dormir.
Vou a Dormir
"Dentes de flores, touca de sereno,
Mãos de ervas, tu, ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.
Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: a abaixa um pouquinho
Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos…
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos
Para que esqueças… obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí…"


Linda,melancolica e mágica musica  !

Ouça a musica logo abaixo a tradução do poema da musica Alfonsina Y El Mar que foi inspirada no proprio poema postumo acima citado .Clica ai para ouvir -------->>>>..http://www.youtube.com/watch?v=eU1Hpc_iqL8&feature=related

Tuesday, October 09, 2012

Che




Hoje é dia de lembrar a morte do Che Guevara.
Gosto dessa imagem , é incomum, mas é simbolica para mim.
O Che pai, despido de sua farda, boina.O Che exposto a todas as fraquezas ,duvidas e dores que todos os pais sofrem...Aposto que ele desejou o melhor pra sua bebe, Célia.Mas desejar não é tudo! Tomara que ela tenha aprendido muito do melhor que seu pai foi.
Creio que a maior revolução é feita
dentro de nossas casas,quando nossos filhos,nossas crianças nos observam,copiam o nosso melhor.Se faz quando amamos ,falamos não, corrigimos, educamos, os ensinamos a respeitar o proximo, a não fazer mal a outros, a serem gentis, bondosos,justos, altruísta. Ser sempre, sem esperar retorno, pois o mundo quase sempre nao retorna.Não esperar nada de volta,para não se tornarem seres amargos. Ensinar a sorrir, mesmo quando é tempo de dor. Que de nossas casas saiam pessoas melhores. Aqui vai uma frase da carta de despedida de Che a seus filhos: "Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.Fonte: Carta a María Rosario Guevara, de 20 de fevereiro de 1964 .Não nos esqueçamos: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás." RIP Che! "

Friday, October 05, 2012

A Poesia Imagética de Remédios Varo

Por Eliana Maria L.S Andrade


Remédios Varo é para mim  uma  doce e delicada fada das imagens.
Ela morreu dia 8 de outubro de 1963, 20 dias antes do dia de meu  nascimento e tenho uma afinidade imensa com suas obras.
Com apenas tintas sobre um suporte ,muito talento e sensibilidade, suas obras convidam o imaginário do observador a fazer viagens cósmicas, experimentar o mundo mágico da alquimia, do onírico, da matemática, dos contos de fadas.
Suas obras penetram no imaginário infantil muitas vezes adormecido em nós , adultos.


[...] Sob sua forma simples, natural, primitiva, longe de qualquer ambição estética, de qualquer metafísica, poesia é uma alegria do sopro, a evidente felicidade de respirar. O sopro poético, antes de ser uma metáfora, é uma realidade que poderíamos encontrar na vida do poema [...] BACHELARD, 2001, P.245

A obra de Remédios Varo é permeada desse sopro poético de que fala Bachelard no texto acima .
Seus trabalhos são poesia soprada de modo  visceral, ambientada em cenários de terras fantásticas, impregnada das mais remotas lembranças de um mundo jamais visto ou vivido, exceto nos devaneios infantis onde todos os seres, formas e situações são possíveis.
Sua paixão pela pintura Flamenca em especial por Bosch, e também por El Greco e Goya a influenciaram profundamente. As referências estéticas desses mestres da pintura aliadas a suas viagens, aos anos em terras de diferentes culturas, seus estudos místicos e conhecimentos na área da ciência, matemática lhe concederam uma estranha e misteriosa harmonia de elementos fantásticos, surreais, únicos, manipulados por ela como se fora uma alquimista das imagens oníricas.

Cada uma de suas obras se apresenta como um momento de decantação das imagens do mundo real, com suas mazelas, dores, medos, alegrias, carências, frustrações, anseios, e que delicadamente vão passando diante dos olhos.
Suas imagens vão separando o que é palpável, humano, degradável, e lentamente liquefazendo-se em vapores coloridos, como que insinuando uma visagem. Assim como se mostram os sonhos.

Umas das obras mais delicadas e femininas que Remedios Varo produziu e que tive a honra de vê-la de perto, é a Papilla Estelar-Celestial Pabulum. Uma obra de estrutura formal e figurativa. Como se trata de uma obra de uma pintora surrealista, as figuras são representacionais de conteúdo simbólico e metafórico.

Vamos Analisar a Obra? ( deixo bem claro que a analise aqui é de total responsabilidade minha.São minhas  impressões pessoais sobre a obra )

Informações técnicas sobre a obra

Artista: Remédios Varo
Título da obra: Papilla Estelar
Data da obra: 1958
Categoria: Pintura
Técnica: Óil on board
Dimensão: 36x24 in.
91x61 cm
Pais: Espanha/México
Escola: Surrealismo



Apesar de ter sido produzida no inicio da segunda metade do sec.XX, a obra apresenta elementos estéticos Renascentistas em especial, a marca indelével da influência de Hieronymus Bosch a quem muito a influenciou.
Portanto, em seus trabalhos Varo utiliza-se de padrões de perspectivas muito semelhantes as do final do século XV. Recorre a figuras de simbologia complexa, caricaturadas, mas com uma delicadeza refinada, feminina, alegórico e transcendente.
Fiquei completamente encantada quando tive a oportunidade de ver essa obra de perto.Os verdes, a textura. a força mágica que dela emanava.Fui até a exposição ávida para ver Frida Khalo mas foi Remedios Varo quem roubou meu olhar com essa obra.
A imagem apresenta uma peça arquitetônica, centralizada, facetada, com uma abertura frontal cuja estrutura sugere ser a ponta de uma torre muito alta, pois suscita a idéia de estar sustentada no ar, pois está envolvida por brumas e nuvens.
 O fundo possui uma magnífica textura e uma variação de tons de verdes, sóbrios.
Sobriedade é uma das características marcantes na paleta de cores de Remedios Varo.
Talvez essa estrutura seja de madeira ou de um metal acobreado cujo interior e prateado e polido. Seu formato hora lembra um pequeno palanque ou coreto, e por vezes provoca a lembrança de um oratório ou uma gaiola. O assoalho da estrutura e facetado e possui uma via de acesso por meio de três degraus.
Na ponta dessa estrutura há uma espécie de funil ou algo que suga a massa de cores mais claras do fundo da imagem. Esse funil ou algum utensílio semelhante de forma cônica de metal ou outra matéria similar está acoplado a uma cânula se entende para o interior da estrutura e faz duas curvas quebradas até se encontrar com uma maquina de moer que esta fixada a uma mesa.

A mesa coberta com um tecido possui um prato logo abaixo da maquina e ao lado uma mulher. A mulher, sentada em um tamborete ou banco, sobriamente vestida de marrom, tem o rosto e cabelos de um amarelo intenso, quase dourado, e manipula a manivela da maquina de moer que esta  fixada à mesa. Com a mão  direita segura uma colher que utiliza para  levar alimento estelar até  a boca da lua.

A lua é crescente e isso  me leva a imaginar a lua quando  cheia, gordinha,  alimentada de papa de estrelas. Essa lua está disposta a frente da mulher e está aprisionada em uma delicada gaiola. Uma imagem mítica e metafórica. Pela massa que representa as estrelas  acima da estrutura arquitetônica suponho  que se trata  de uma citação da Via-Lactea.
Assim como praticamente todas as obras de Remedios Varo, Papilla Estelar tem estrutura narrativa. È suave e feminina e feminista. Combina o mundo real com o fantástico. Faz uma ponte entre arte e a ciência. Uma mulher alimentando a lua com pó de estrelas. A via láctea servindo de alimento para uma lua crescente.
Remedios Varo em sua poética revela seu mundo interior de fantasias e utiliza-se de suas próprias experiências de vida, suas paixões, frustrações para compor a narração. A obra parece falar de fertilidade, do berço das estrelas e do mundo humano que se regenera a todo o momento tendo a mulher como fonte procriadora que alimenta e mantém a possibilidade da existência da raça humana. A lua crescente simboliza as energias femininas.

Ao alimentar a lua de pó de luz estelar o rosto da figura  feminina, que possuiu um olhar perdido e resignado, é totalmente iluminado com uma luz quente semelhante à luz solar paradoxalmente ao brilho frio da lua. Ora, sendo a lua um mero refletor e redirecionador da luz solar para a Terra, os filhos lunares seriam uma forma indireta dela receber essa luz. Seu olhar nao direcionado é  um elemento que me  causa muita estranheza , o fato do seu  olhar  ser vago, perdido. Ela não fita o olho de quem ela alimenta . Remédios varo jamais pode ter filhos e falando sobre essa obra e sua intenção ao pintá-la, e a respeito do tema, ela disse: "Supe entonces que estaba hablando de mí y de mi cocina, y de mis hijos lunares y de las estrellas que yo trituro"

Quem seriam esses filhos lunares alimentados de papa de estrelas trituradas por ela em sua cozinha? Quem se alimentaria da luminosidade sugada das estrelas? 
Seria a cozinha seu ateliê de pintura ou a sua própria existência? Ela seria a metáfora da Terra? Seriamos nós a lua? observadores alimentados pela sua obra, passivos, aprisionados pelo devaneio da artista, ávidos para sermos alimentados por esse pó de estrelas triturados por ela?

Ao nos alimentar por essa luz vinda da imagem produzida, receberia ela a luz original através do reflexo da luz em nós?Poderia a luz tratar-se da fruição de quem observa seu trabalho? . Sua frase sobre a própria obra deixa enumeras interrogações ao invés de explicá-la.
Papilla Estelar remete-me aos devaneios poéticos do filosofo Gastón Barchlard (2001) ao dizer que [...] o sonho é a cosmologia de uma noite [...], o filosofo discorre sobre as nebulosas e diz que a via Láctea quando citada em uma obra poética toma para si tanto valor que acaba por declarar toda intenção do autor.
[...] a nebulosa da Via - Láctea qual uma vista atenta deveria atribuir exatamente a mesma fixidez das estrelas e na contemplação de uma noite, o tema de incessantes deformações. Sua imagem é contaminada simultaneamente pela nuvem e pelo leite. A noite se anima nessa luz leitosa. Uma vida imaginaria se forma nesse leite aéreo. O leite da lua vem banhar a terra, o leite da via láctea permanece no céu. [...] Nessas vibrações imaginarias, o sonhador se deixa embalar. Parece que ele reencontra a confiança de uma infância distante. A noite é um seio intumescido. [...]
BACHELARD, 2001. pp.202-203

 “A noite é um seio intumescido” e é desse seio e do mundo de sonhos que Remedios Varo nos oferece em Papilla Estelar uma imagem poética, fantástica, e ao mesmo tempo de uma familiaridade desconcertante que não há como não se identificar com ela.
A energia vital da natureza e do cosmo, a luminosidade que propaga e expande o olhar. Varo trata da alquimia do cosmos, das coisas voláteis que existem no que parece invariável. Do que parece fixo no Universo.

A força da figura feminina apesar de alimentada pelo conhecimento ,ainda parece permanecer aprisionada. As mulheres mesmo ocupando um lugar importante dentro da produção de trabalho, participante ativa do processo de construção da sociedade moderna, e inclusive com seu pensamento e trabalho intelectual, ainda esta atracada a convenções machistas.
Remédios Varo que presenciou e participou de boa parte desse processo de emancipação feminina, e dos questionamentos sobre essa questão, pode falar e citar em sua obra com muita propriedade sobre a problemática social que a mulher enfrenta,sobre suas fragilidades sua importância e sua força.




REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
BARCHELARD, Gaston. O Ar e os sonhos. Martins Fontes. São Paulo 2001

Thursday, July 19, 2012

Cartas de Van Gogh - Fragmento


Saint - Rémy , 10 de Setembro de  1889 


"Se alguém toca Beethoven, acrescenta sua própria interpretação pessoal; na música, especialmente no canto, interpretação e conta também com o compositor não tem de ser o único a exercer as suas composições doente. De qualquer forma, especialmente agora que eu sou , eu estou tentando criar algo para me confortar, para meu próprio prazer. Coloquei a preto e branco ou depois de Delacroix e Millet na frente de mim para usar como um motivo. E então eu improviso cor [...] buscando reminiscências de suas pinturas, mas a memória, a consonância vaga de cores, enquanto pelo menos correcta em espírito, que é a minha interpretação "...Vincent 


(Carta 607) 




                                                                


Noite: A Watch (Após Millet)  Óleo sobre tela
Dimensão: 74,5 x 93,5 cm
Saint - Rémy : Final de outubro de 1889 



Tuesday, February 14, 2012

Eros e Psiquê

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
                                  De Van Dick

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
                       

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

Wednesday, January 18, 2012

Flores do Mal



Desculpem-me  a ausência, a falta de postagem.
Estou  tirando um tempo pra mim, pra minha casa,meus amores,  para minhas coisas e vida...
Organizando tudo para o  ano novão que eu tenho pela frente.(assim espero que Deus permita.)
Ando lendo bastante , portanto aprendendo  coisas novas e fazendo conexões com antigas coisas, com a vida, as pessoas, a arte.

Tenho o hábito diuturno de ouvir musica. Amo musica, “vivo per lei”, já canta o Andrea Bocelli e compartilho desse amor.
Hoje acordei com a cantora Diana Pequeno na minha play list afetiva e mental.
Acredito que todo mundo um dia outro acorde  com uma musica colada na cabeça,pois foi isso que aconteceu hoje.Lembrei-me de uma musica linda que Diana  gravou e que eu gosto muito. A letra fala de algo  que  especifica  bem um momento  marcante de minha vida.Todo mundo tem uma trilha sonora de cada momento  de sua  vida não é mesmo? Ouve ai enquanto vai lendo o restante da postagem.



 Mas ,como aqui nesse espaço  não podemos falar em musica somente  por falar da parte óbvia e  afetiva que ela nos conecta, bora destrinchar um pouco esse "momento recuerdo"?. 
 O poema dessa musica  me conecta a  dois poetas, duas bandas de rock  brasileiro ,  um filósofo, um romancista, uma bailarina e um pintor. 
Aposto que daqui  um tempo quando ouvi-la novamente , alguma outra porta se abra e eu perceba algo novo  nela.
A cada vez que você se depara com a obra, novas possibilidades, novas leituras aparecem, desencadeiam memórias, novos focos. O  conhecimento  é assim tudo vai se  conectando  com nossas experiências de vida , portanto de aprendizado. Muita informação  não é? Então vamos la.
Hoje vou apresentar a você: A bela voz da cantora Diana Pequeno. Se quiser saber mais de seu trabalho e vida clique aqui .Flores do mal  composição de  Ney Marques e  Diana Pequeno .Antes de ler o poema preciso fazer umas observações.


O Poeta I  :Flores do mal- ( Les fleurs du mal)  è  titulo da obra  escrita pelo poeta francês Charles Baudelaire,  dizem que é  o marco da poesia moderna e simbolista.È  denso,  visceral, fala da condição humana , tem também uma sensualidade  implícita.Não sei se é  citação ,mas  o titulo me  conectou a  essa obra.Só por curiosidade, também é titulo de musica  das bandas  Legião urbana, do Barão Vermelho....
Com esse simples exemplo dá para ter  noção  do quanto esse livro é denso e o quanto uma obra de arte  vai além  do que o  próprio autor imagina...Roland Barthes , o filosofo ,escreve lindamente sobre isso em  seu texto "A morte do autor" vale a pena ler se tiver um tempinho sobrando.. .

O poeta II_ Ezra Pound:O Grande romancista  Heminqway um dia  disse que " Um poeta deste século que afirme não ter se influenciado por Ezra Pound merece mais a nossa piedade que a nossa reprovação." . Ezra 
foi músico, poeta, e crítico literário.Tem pouca coisa na rede sobre ele mas,  aqui tem como ler rapidamente um  pouco sobre  o lado musical desse artista.Foi internado numa clinica psiquiatrica por 12 anos para evitar ser preso por  causa de sua "militancia" .Veja aqui uma sintese sobre a vida dele...Talvez quando a musica  cita que leia Ezra  como se bebe veneno é porque não há como  não se intoxicar,perverter-se , empeçonhar-se ,(no bom sentido é claro ) , pela poética e visão de mundo dele.È mais ou menos  o que acima esta escrito na frase do   Heminqway  . Uma pena que há  pouca coisa  do poeta  liberada na rede.Suas obras ainda nao estão no "dominio público", muita coisa não traduzida portanto  , para escrever e publicar  em blogs e sites, tem a coisa complicada do direito autoral e permissões para divulgação...Vamos a letra, finalmente.

“ Blue moon, tantas ruas desertas
E o mundo ainda está aqui
Luas azuis, flores do mal
E o mundo continua aqui
São lágrimas de chuva
Nesses olhos loucos
E a vida não é mais igual
Eu choro no deserto dos amores poucos
Não nego que eu estou tão mal
Eu sei que tantas flores
Nascem nos jardins
A cada instante as flores
Nascem em meu jardim
Não quero que você me esqueça, não
Eu sempre mando um sinal
Me chama antes que escureça ah!
Eu sempre chego no final
Raras paixões, armadilhas de vênus
E a vida ainda está aqui
Eu leio Ezra Pound, como bebo veneno
E a vida continua aqui
Eu sei que nuvens negras
Vêm detrás dos montes
Tentando te esconder de mim
Te vejo nas estrelas no clarão das noites
E eu quero tudo até o fim.

Para finalizar, deixo com vocês  um poema  do  Ezra Pound, que me lembra a pintura do John Lavery, cujo título é  Anna Pavlova, que era uma bailarina.A bailarina russa Anna Pavlova (1881-1931) foi a mais célebre bailarina clássica de seu tempo, admirada pela qualidade poética de seu movimento. Ela estreiou como solista com a Ballet Imperial da Rússia em 1899, mas ganhou fama quando ela dançou com Nijinsky em Russes de Diaghilev Ballets em Paris em 1909.Um crítico escreveu em 16 de Abril 1911 sobre a obra abaixo: " O retrato do Sr. Lavery da dançarina russa, Anna Pavlova, pegou o momento de movimento  de peso  e graciosidade ... Milagrosa, a fuga de pena, que parece desafiar a lei da gravidade ".Agora nao pude tirar a minha maior duvida do dia: A dourada Pavlova"  do poema e da pintura....O poema foi feito depois  que  o poeta viu a pintura e fez a citação do tom dourado dela, ou o pintor se inspirou no poema para  usar as cores? Ficarei com essa questão para responder no futuro..Preciso pesquisar.

Viu como em uma  coisinha de nada, em uma simples recordaçao  pode existir um universo?  Façam esse exercício. È saudável e ajuda a gente entender melhor o mundo e as pessoas que nos cerca.
Anna Pavlova  by  John Lavery 

Poema de Ezra Pound
[Tradução Lauro J.M. Marques]
 

"A aurora entra com seus pezinhos
.......como uma dourada Pavlova
E estou próximo ao meu desejo.
Não há coisa melhor no mundo
Que essa hora de claro frescor
.......a hora de despertarmos juntos."



Tuesday, January 10, 2012

Férias

"A arte é o homem acrescentado à natureza – natureza, realidade, verdade das quais o artista faz sobressair o sentido, o caráter, que ele exprime, resgata, separa, libera, ilumina." Van Gogh in Bibliografia de Van Gogh - David Haziot


\o/È tempo de férias.\o/
Aproveitando para ler uma biografia interessante.
Depois que eu terminar de ler conto o que achei!.
Beijokas e curtam o verão! 

Friday, December 23, 2011

Deus se fez um de nós!

                         'Adoração dos Pastores', de Murillo

 Sei que uma boa parte da população do mundo não comemora o Natal.
Mas  imagino que ,como eu, inúmeras pessoas  apreciam saber dos ritos e tradições de festas  expressivas de todos os povos.Sem preconceito ou julgamentos.
Todas  as religioes  possuem momentos lindos em que a paz,amor e solidariedade é o mote de suas festividades.
O Natal é uma dessas festas.
A minha preferida entre todas as outras.
A imagem de um bebê Deus anunciado durante séculos como o Redentor das mazelas do mal , cumprindo  profecias,nascer numa gruta  e  sendo reverenciado por  uma estrela cantante,pastores, animaizinhos e sábios do Oriente para mim é fascinante ,sereno e doce.
Há 13 anos atrás, fui convidada para cantar em um programa de musicas natalinas.
Eu estava gravida do meu filho caçula,Arthur.
Era uma canção doce que descrevia todo o clima da noite do nascimento de Jesus.
No momento em que eu cantava a frase "um de nós, Deus se fez um de nós", o meu nenen mexeu pela primeira vez na minha barriga.
Deu um pulo forte! 
Também queria louvar!
Foi uma emoção tão grande que comecei a chorar e sem saber do que se tratava todo mundo que estava assistindo acabou chorando também.Quando terminei expliquei o que havia acontecido e a emoção foi maior ainda...
Não me esqueço dessa sensação.
Foi especial e forte  pois 4 anos  antes havia perdido um bebê exatamente na noite de Natal.
Era como se ele dissesse:"estou aqui com voce."
Não me esqueço do menino Deus.


Sei que é uma  data simbólica,mas é bom ter um dia para parar e pensar  sobre o dia em que o Verbo se fez carne.
Para Ele,Jesus, um feliz aniversário.
O amo, e  gostaria de ser um melhor presente pra Jesus aqui na  Terra e sei que Ele sabe que me esforço,rs.
Um lindo e pacifico Natal a todas as Nações.
Clique aqui, e veja e ouça um video da musica que eu citei.