Saturday, August 14, 2010

Fama e Infâmia II


Ao olhar a imagem de Dilma Rousseff que a revista Època divulgou essa semana, fatalmente me lembrei de Andy Warhol .(Veja aqui o que já escrevi se quiser saber mais sobre ele) .
Warhol era interessado em temas como sofrimento e morte...pintava famosos, assassinos, guerrilheiros , enfim, pessoas celebres por alguma razão.
Warhol trabalhava na desimbolização do objeto e do mito. Saturava essas imagens as repetindo em cores fortes , assim como a midia faz com a imagem das celebridades, levando-as a uma especie de" banalização" apesar de que uma nunca era colorida como a outra .Mesma imagem vista por varios focos coloridos.
Acontece que esses mitos representados atravez dessas imagens de Warhol transcederam sua própria historia e perderam a "aura" em que estavam inseridos mas ganharam muito mais força e voltaram a historia do mundo em forma de obra de arte.
Uma grande homenagem hein!
Nao é louco isso?
Para azar da Època e sorte da Dilma , se a intenção foi prejudicá-la o efeito é bem contrário!

Friday, July 23, 2010

Sobre barbas e véus - A ironia dos símbolos


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A barba é um símbolo imponente de masculinidade e poder.

È uma das característica marcantes que distingue visualmente homens de mulheres...
O véu é um acessório que nos remete ao feminino. Simboliza pureza e em algumas situações, a opressão. O véu oculta e revela ao mesmo tempo. Pode incentivar o desafio a descoberta tanto de quem o usa como de quem o vê.
Originalmente em países em que a barba faz parte do “visual” masculino a barba simboliza sabedoria, austeridade e sentimento paternal. Indica aquele que cuida ou manda.
O período de trevas em que o pais ficou mergulhado durante a ditadura foi extremamente machista. O regime da ditadura política no Brasil foi radicalmente “macho”, no pior sentido da palavra.
Tirano!Mandava, controlava e usava de sua virilidade e força para subjugar.Em nada foi sábio,paterno,austero o que dirá ,moral...
Passamos por um doloroso processo de democratização e o pais pode enfim escolher um presidente por voto direto. Crescemos muito desde então como pais, pessoas e cidadãos.
Conseguimos colocar no comando da nação um presidente de origem popular ligado as lutas das classes trabalhadoras e esse para minha felicidade e sei que de muitos, pode restaurar simbolicamente e literalmente o bom significado de uma barba.Do significado de ser homem.
Há oito anos no comando da nação, Lula olha o pais de forma paternal, responsável, cuidadosa, com sabedoria, austeridade, e moral.
Não me importo o que a mídia e algumas pessoas cheias de preconceitos e informações deturpadas falem. As pessoas menos favorecidas estão ai pra testemunhar sobre o que está melhor em suas vidas. Isso me orgulha pois participei desse momento histórico com meu voto .
Lula em sua experiência sabe que precisamos de um novo elemento para crescer. Que é hora de injetar fluxo novo no plano que já esta em curso e não podemos retroceder. .Novo foco, novo olhar, novo ângulo sob o mesmo desafio:Acabar com a pobreza desse pais...
Existe uma mulher que aos 19 anos resolveu desafiar essa “força tirana e masculina” da ditadura. Foi presa, torturada, usurpada em seus direitos civis e humanos.O nome dela é Dilma Rousseff.
Os tempos são outros, há ainda sexistas retrógrados que insistem em desclassificar Dilma (e até mesmo Marina Silva a outra candidata a presidencia da República) por mero preconceito ou medo. Medo de que uma mulher possa fazer pelo paiso que muitos homens nao comseguiram.Medo de nunca mais conseguirem voltar ao velho poder machista ,intruso,desleal ...medo por saber que ter uma mulher no poder é sinal claro que a população está amadurecendo politicamente e não se deixarão enganar como antes ...
Em sua condição de mulher Dilma também teve que viver, querendo ou não, olhando através do véu que nossa condição feminina nos impõe por natureza.
Acontece que nada é exclusivamente bom ou mal nesse mundo e esse mesmo véu do Ser feminina, que às vezes oprime, também permite de forma muito eficaz filtrar o que ofusca, o que eventualmente poderia atingir o olhar.Esse olhar semi -velado pelo véu proporciona visão clara das coisas protegido do meio empoeirado,poluido e sujeito a holofotes que é a politica...
Imagino o quanto foi duro sentir literalmente na própria pele o poder masculino do regime militar e seus algozes , ver amigos morrerem e todas as coisas tristes que sabemos daquele tempo sombrio...
Admiro imensamente todas as pessoas que não se entregam . Que buscam a honestidade e não desejam o que não é seu por direito, todas as pessoas que lutam por um bem coletivo (a liberdade é uma jóia, poder falar o que se pensa então...).
Admiro os que não traem. Admiro a fidelidade em todas as suas facetas.
Admiro a coragem de lutar por um ideal sem medir conseqüências.Os que arriscanram a própria vida enquanto muitos fugiram, negaram as origens,os companheiros, o ideal e se esconderam confortavelmente...
Falam por ai que Dilma não é religiosa,pra mim isso é indiferente...pois se essas caracteristicas que citei acima são tão ligadas a atitudes e ensinamentos de Cristo (que amo), o que é ter Deus no coração então? Esquentar um banco de igreja? apontar o pecado dos outros? Difícil julgar as pessoas.Aprendi que ações falam mais que palavras...
Essa experiencia de vida, unida ao poder de uma visão filtrada de uma mulher que contornou suas limitações humanas e de gênero, lidou com seu cotidiano de mãe/ esposa/mulher/estudante/profissional, e que também com força resistiu a um câncer curou-se, saiu mais disposta, feliz, fortalecida e com certeza naturalmente mais sensível a dor do outro, faz com que Dilma reúna qualidades essências para conduzir a nação.
Quem passa por privação da liberdade, sabe dar o devido valor a vida, sabe agregar a essa vida tudo e todos a sua volta .Pessoas que passam por essas experiencias de vida não se permitem distiguir, cor, crença, opção sexual, classe social, origem...Pensar e olhar por todos é motibo de vida.È assim que um governante deve ser.


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A artista de hoje: Remédios Varo Uranga, espanhola, pintora surrealista de Vanguarda .Viveu ,viu e participou de muitas das lutas e conquistas políticas e sociais das mulheres desde então.Feminina e feminista teve que enfrentar toda carga machista e opressora de seu tempo.



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A Obra do dia:
Locomoción Capila



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Obra de forte poder simbólico e de obvia ligação a luta pelos direito das mulheres no sec XX em que a pintora se engajou entre as década de 30 e 60 .Essa obra pode representar poderosa denuncia social da artista contra o "machismo" e suas correntes de pensamento em seu tempo,mas como se trata de uma obra prima , ser discurso é atemporal.

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Observem as imagem...

A barba que é um elemento forte nessa pintura,coloca os homens em um patamar mais alto,acima das aves, acima do chão e perto dos céus (por causa das nuvens), enquanto a mulher é reprimida em seus movimentos pelo homem que esta acima dela.




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Notem que apesar de ser levantada a figura feminina jamais usaria o chapéu, imaginem um chapéu de nuvens.O capelo (ou chapéu) identifica grau de autoridade e pode fazer referencia simbolica a coroa.








Do alto de suas barbas e sob o comando de seus bigodes , representados na obra como guidons ,os homens conduzem e direcionam o movimento dentro da pintura...
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No tempo em que a artista viveu uma mulher no poder (exceto as rainhas) seria uma possibilidade remota ou impossivel de se realizar.Chegar ao poder por meritos próprios, algo inimaginavel...

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Ainda há quem pense assim como nos tempos de Remédio Varo, ainda persistem na ideia de que a única forma de ascensão social para as mulheres “de bem” é o casamento e mesmo assim, as mulheres nunca chegarão "aos céus" como os homens. Uma mulher sozinha é diminuída, uma mulher que manda e comanda é tratada de forma e expressões pejorativas.
Eliana Maria L. de Andrade-Arte Educadora


Friday, January 08, 2010

A poética onírica de Remédios Varo - Papilla Estelar-

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Eliana Lopes de Andrade

Hospede inúmeras fotos no slide.com GRÁTIS!


[...] Sob sua forma simples, natural, primitiva, longe de qualquer ambição estética, de qualquer metafísica, poesia é uma alegria do sopro, a evidente felicidade de respirar. O sopro poético, antes de ser uma metáfora, é uma realidade que poderíamos encontrar na vida do poema [...] BACHELARD, 2001, P.245


Uma feiticeira. Quem sabe uma doce e delicada fada das imagens. Com apenas tintas sobre um suporte muito talento e sensibilidade, suas obras convidam o imaginário do observador a fazer viagens cósmicas, experimentar o mundo mágico da alquimia, do onírico, da matemática, dos contos de fadas, penetram no imaginário infantil muitas vezes adormecido nos seres humanos adultos.
A obra de Remédios Varo é permeada desse sopro poético de que fala Bachelard (2001), poesia soprada de forma visceral ambientada em cenários de terras fantásticas, impregnada das mais remotas lembranças de um mundo jamais visto ou vivido exceto nos devaneios infantis onde todos os seres, formas e situações são possíveis.
Sua paixão pela pintura Flamenca em especial por Bosch, e também por El Greco e Goya a influenciaram profundamente. As referências estéticas desses mestres da pintura aliadas a seus estudos místicos e conhecimentos na área da ciência, matemática lhe concederam uma estranha e misteriosa harmonia de elementos fantásticos, surreais, únicos, manipulados por ela como se fora uma alquimista das imagens oníricas.
Cada uma de suas obras se apresenta como um momento de decantação das imagens do mundo real com suas mazelas, dores, medos, alegrias, carências, frustrações, anseios, e que delicadamente vão passando diante dos olhos.
Suas imagens vão separando o que é palpável, humano, degradável, e lentamente liquefazendo-se em vapores coloridos, como que insinuando uma visagem. Assim como se mostram os sonhos.
Umas das obras mais delicadas e femininas que Remedios Varo produziu foi a Papilla Estelar-Celestial Pabulum. Uma obra de estrutura formal e figurativa. Como se trata de uma obra de uma pintora surrealista as figuras são representacionais de conteúdo simbólico e metafórico.
Analisando a Obra


Apesar de ter sido produzida no inicio da segunda metade do sec.XX, a obra apresenta elementos estéticos Renascentistas em especial, a marca indelével da influência de Hieronymus Bosch a quem muito a influenciou.
Portanto, em seus trabalhos Varo utiliza-se de padrões de perspectivas muito semelhantes as do final do século XV. Recorre a figuras de simbologia complexa, caricaturadas, mas com uma delicadeza refinada, feminina, alegórico e transcendente.
Fiquei completamente encantada quando tive a oportunidade de ver essa obra de perto.Os verdes, a textura. a força mágica que dela emanava.Fui até a exposição ávida para ver Frida Khalo mas foi Remedios Varo quem roubou meu olhar com essa obra.
A imagem apresenta uma peça arquitetônica, centralizada, facetada, com uma abertura frontal cuja estrutura sugere ser a ponta de uma torre muito alta, pois suscita a idéia de estar sustentada no ar, pois está envolvida por brumas e nuvens. O fundo possui uma magnífica textura e uma variação de tons de verdes, sóbrios. Sobriedade é uma das características marcantes na paleta de cores de Remedios Varo.
Talvez essa estrutura seja de madeira ou de um metal acobreado cujo interior e prateado e polido. Seu formato hora lembra um pequeno palanque ou coreto, e por vezes provoca a lembrança de um oratório ou uma gaiola. O assoalho da estrutura e facetado e possui uma via de acesso por meio de três degraus.
Na ponta dessa estrutura há uma espécie de funil ou algo que suga a massa de cores mais claras do fundo da imagem. Esse funil ou algum utensílio semelhante de forma cônica de metal ou outra matéria similar está acoplado a uma cânula se entende para o interior da estrutura e faz duas curvas quebradas até se encontrar com uma maquina de moer que esta fixada a uma mesa.
A mesa coberta com um tecido possui um prato logo abaixo da maquina e ao lado uma mulher. A mulher, sentada em um tamborete ou banco, sobriamente vestida de marrom, tem o rosto e cabelos de um amarelo intenso, quase dourado, e manipula a manivela da maquina fixada à mesa com a mão esquerda e com a direita segura uma colher que utiliza para supostamente introduzir a boca de uma lua.
A lua é crescente e está disposta a frente da mulher aprisionada em uma delicada gaiola. Uma imagem mítica e metafórica. Pela massa que representa as estrelas supõem que se trata da Via-Lactea.
Assim como praticamente todas as obras de Remedios Varo, Papilla Estelar tem estrutura narrativa. È suave e feminina e feminista. Combina o mundo real com o fantástico. Faz uma ponte entre arte e a ciência. Uma mulher alimentando a lua com pó de estrelas. A via láctea servindo de alimento para uma lua crescente.
Remedios Varo em sua poética revela seu mundo interior de fantasias e utiliza-se de suas próprias experiências de vida, suas paixões, frustrações para compor a narração. A obra parece falar de fertilidade, do berço das estrelas e do mundo humano que se regenera a todo o momento tendo a mulher como fonte procriadora que alimenta e mantém a possibilidade da existência da raça humana. A lua crescente simboliza as energias femininas.
Ela jamais pode ter filhos e falando sobre essa obra e sua intenção ao pintá-la, e a respeito do tema, ela disse: "Supe entonces que estaba hablando de mí y de mi cocina, y de mis hijos lunares y de las estrellas que yo trituro"
Ao alimentar a lua de pó de luz estelar seu rosto da figura com olhar perdido e resignado é totalmente iluminado com uma luz quente semelhante à luz solar. Quem seriam esses filhos lunares alimentados de papa de estrelas trituradas por ela em sua cozinha? Quem se alimentaria da luminosidade sugada das estrelas? O que causa muita estranheza é o fato do olhar da mulher ser vago, perdido. Ela não fita o olho de quem ela alimenta.
Ora, sendo a lua um mero refletor e redirecionador da luz solar para a Terra, os filhos lunares seriam uma forma indireta dela receber essa luz.
Seria a cozinha seu ateliê de pintura ou a sua própria existência? Ela seria a metáfora da Terra? Seriamos nós a lua, observadores alimentados pela sua obra, passivos, aprisionados pelo devaneio do artista ávidos para sermos alimentados por esse pó de estrelas triturados por ela?Ao nos alimentar por essa luz vinda da imagem produzida, receberia ela a luz original através do reflexo da luz em nós?Poderia a luz tratar-se da fruição de quem observa seu trabalho? . Sua frase sobre a própria obra deixa enumeras interrogações ao invés de explicá-la.
Papilla Estelar remete-nos aos devaneios poéticos do filosofo Gastón Barchlard (2001) ao dizer que [...] o sonho é a cosmologia de uma noite [...], o filosofo discorre sobre as nebulosas e diz que a via Láctea quando citada em uma obra poética toma para si tanto valor que acaba por declarar toda intenção do autor.
[...] a nebulosa da Via - Láctea qual uma vista atenta deveria atribuir exatamente a mesma fixidez das estrelas e na contemplação de uma noite, o tema de incessantes deformações. Sua imagem é contaminada simultaneamente pela nuvem e pelo leite. A noite se anima nessa luz leitosa. Uma vida imaginaria se forma nesse leite aéreo. O leite da lua vem banhar a terra, o leite da via láctea permanece no céu. [...] Nessas vibrações imaginarias, o sonhador se deixa embalar. Parece que ele reencontra a confiança de uma infância distante. A noite é um seio intumescido. [...]
BACHELARD, 2001. pp.202-203
A noite é um seio intumescido e é desse seio e do mundo de sonhos que Remedios Varo nos oferece em Papilla Estelar uma imagem poética, fantástica, e ao mesmo tempo de uma familiaridade desconcertante que não há como não se identificar com ela.
A energia vital da natureza e do cosmo, a luminosidade que propaga e expande o olhar. Varo trata da alquimia do cosmos, das coisas voláteis que existem no que parece invariável. Do que parece fixo no Universo.
A força da figura feminina apesar de alimentada pelo conhecimento ainda parece permanecer aprisionada. As mulheres mesmo ocupando um lugar importante dentro da produção de trabalho, participante ativa do processo de construção da sociedade moderna e inclusive com seu pensamento e trabalho intelectual, ainda esta atracada a convenções machistas.
Remédios Varo que presenciou e participou de boa parte desse processo de emancipação feminina, e dos questionamentos sobre essa questão, pode falar e citar em sua obra com muita propriedade sobre a problemática social que a mulher enfrenta,sobre suas fragilidades sua importância e sua força.

Informações técnicas sobre a obra
Artista: Remédios Varo
Título da obra: Papilla Estelar
Data da obra: 1958
Categoria: Pintura
Técnica: Óil on board
Dimensão: 36x24 in.
91x61 cm
Pais: Espanha/México
Escola: Surrealismo

"Supe entonces que estaba hablando de mí y de mi cocina, y de mis hijos lunares y de las estrellas que yo trituro" - Remedios Varo-

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
BARCHELARD, Gaston. O Ar e os sonhos. Martins Fontes. São Paulo 2001

Friday, July 24, 2009

LEONOR FINI La guardiana Del huevo Negro

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"La guardiana Del huevo Negro" (1955), óleo sobre tela de Leonor Fini
Por Eliana M.L.S.Andrade
Tive a oportunidade de há pouco tempo atras me deparar com essa obra exposta numa parede da cúpula branca (chamo assim o interior do museu que tem o formato de meia esfera do Complexo Cultural da Republica em Brasilia)A estrutura da obra é formal e figurativa. A temática utiliza-se de metaforas por trata-se de uma obra com caracteristicas surrealistas e portanto, embebida de simbolismos oníricos e ou fantasticos.
A obra é tomada por uma massa única centralizada de composição harmoniosa, simétrica e estabelece uma forma triangular que gera estabilidade, ela está em repouso .
A figura feminina com aspecto majestoso vestida com um traje de cor amarelo quase dourado revelando parte do busto em seu decote, é coberta por um manto azulado que aparentemente recobre o local onde ela está sentada.
Não se pode definir se trata-se de um trono ou cadeira comum, mas pelo seu porte, pode-se presumir uma importancia relevante dessa figura.
Repousando sobre seu colo encontra-se um ovo negro cuja parte mais pontiaguda está virado para baixo. Apesar de nada segura-lo pois as mãos da figura feminina não o toca, o ovo parece estar momentaneamente seguro.
Essa figura tem como plano de fundo ou cenário algo semelhante a um deserto ou terra árida em cores quentes que variam entre vermelhos e amarelos no qual pode-se notar extensas e profundas fendas que parecem partir de sua figura.
Esse manto que a figura feminina usa reflete a imagem de uma santa, de uma mãe, de ser protetora, guardiã de alguma coisa; seu manto também é rígido. O que pode ser observado em seu colo repousar um ovo, os seus braços estão estáticos não seguram mas transmite uma proteção em relação ao ovo.
O semblante da figura demonstra resignação e passividade em face a toda narrativa. Seu olhar mostra está além do momento vivido, quem sabe olha para o futuro.
Há o isolamento. .Ela parece aguardar na grandeza do silencio,do desconhecido e da solidão que lhe é imposta nessa tarefa. Ela guarda o que parece imprevisivel.
O ovo negro causa grande estranhamento. Há o mistério. Há um segredo. Esse estranhamento propoem uma experiencia visual multifacetada pois vai de encontro a referências imagéticas trazidas pelo observador e abre novas possibilidades de visão pois esta calçado na discrepancia entre o mundo real e o fantastico, o diferente. O título da obra diz que ela é a guardiã desse ovo que ajuda a entender melhor a relação invisivel da mulher e o ovo negro em seu colo que noentanto este parece estar sujeito a queda a qualquer momento pois o traje aparentemente é acetinado e suas mãos não o tocam. A posição do ovo invertida para baixo remete a posição e o formato do útero materno.A representação da mulher e o ovo supõe gerar vida que gera uma contradição ao lugar onde está o deserto; lugar esse que não existe vida.
O manto azul, pode fazer referencia iconografica ocidental à cor do manto de Maria, mãe do filho de Deus. Mãe espiritual de boa parte dos cristão que acentua a leitura sobre maternidade da obra. O azul remete a sabedoria, ao espiritual,a eternidade e o manto em formato de trianguloapontando para o céu reforça a sensação do que transcende.
A vida contornada do árido. Ela , a protetora desse novo ser em um mundo ríspido e mesquinho .Majestosa tarefa. As fendas na terra oferecem uma ideia de insegurança, separação , de atravessar para outro plano.
A obra propoem uma leitura direta a maternidade, a magnificência do ser maternal,da resposabilidade de guarda do fruto que se carrega no ventre, do mistério da maternidade,da solidão que a hora do parto e da maternidade em si envolve a mulher. Da regninação da mulher diante do improvável.Do futuro.Do momento em que este escorregara de seu ventre, sairá da proteção de suas mãos,mas que manterá uma ligação invisivel além daquele momento.
Pintora surrealista, nascida na Argentina, filha de mãe italiana. A passagem por este país foi rápida, porque, apenas com um ano de idade a mãe, depois de se divorciar, levou-a para Trieste (Itália). Leonor (ou Eleonora) Fini freqüentou os meios boêmios da Europa. Foi uma autodidata. Ficou famoso o guarda-roupa que desenhou para a bailarina Margot Fonteyn, no seu papel de Ágata (a Gata) com coreografia de Rolant Petit, apresentado em Paris, sem esquecer que foi também Leonor quem desenhou o guarda-roupa para os filmes Romeu e Julieta (1954) e Satyricon (1969) do grande realizador italiano F. Fellini. Leonor Fini tem uma obra extensa e diversificada. Ilustrou primorosamente livros para crianças. Entre os mais notáveis figuram desenhos para obras de Baudelaire, Jean Genet, Sade e Edgar A. Poe. As máscaras que concebeu para a Comédie Française, para a Ópera de Paris, bem como para o Scala de Milão mostram outro lado criativo desta excepcional artista. Leonor deu-se com pintores como Picasso, Dali, De Chirico, Dali, Max Ernst com quem teve uma relação amorosa. As suas obras estão em quase todos os museus do mundo e desde o ano da sua morte, 1996, que se têm realizado retrospectivas dos seus trabalhos, como as de 1997 e 1998 em Nova Iorque e Boston.
Fontes de pesquisa

· Autora: Maria Luisa V. Paiva Boléo. Biografia de Leonor Fini.http://www.leme.pt/biografias/80mulheres/fini.html . Acessado em 15/06/09
· Whitney Chadwick is Professor of Art History at San Francisco State University and lectures both nationally and internationally on women artists and Surrealism in general. Whitney Chadwick é professora de História da Arte na San Francisco State University e palestras a nível nacional e internacional sobre as mulheres artistas e Surrealismo em geral. Ela é a autora de numerosos livros, incluindo: Mulheres Artistas e O Surrealismo; Mulheres, Arte e Sociedade; eEspelho Imagens: Mulheres, Surrealismo e auto-representação.
http://www.weinstein.com/fini/leonor-fini.html. Acessado 

Wednesday, March 25, 2009

La musique de Maurice Ravel - Pavane pour une infante défunte


Há varias versões sobre como Ravel se inspirou para compor essa música que confesso, toda vez que ouço me emociona muitissimo.
Hoje farei uma postagem totalmente fora de dados concretos sobre a obra e sim sobre a lenda que a envolve.
Ravel tinha origem Basca e isso o influenciara bastante em suas composições.
Reza a lenda que Ravel aos 20 e poucos anos recebeu de seu professor de música um desafio:Ele teria que compor uma musica inspirado em alguma obra prima da pintura.

No caso o moço escolheu umas das Pinturas de nada mais nada menos que Velasquez,mais uma vez a Espanha e sua ligação afetiva.
Alguns estudiosos acreditam que essa obra de Ravel foi inspirada na imagem pintada por Velasquez da princesa margarita, filha do rei Felipe IV .Velasquez a retratou e a sua familia mais de uma vez.
Os estudiosos afirmam que Ravel ao nomear a sua obra , nao se refere a uma princesa morta , fez uma brincadeira com as palavras "infante défunte" para o título de sua Pavane por achar "melodioso" e poético o título em francês " Pavane pour une infante défunte".
Ravel se mostrava estusiasta pelas tradições espanholas.
Fico particularmente surpresa quando imagino essa obra que eu gosto tanto que primeiro foi escrita uma partitura somente para piano por volta de 1899 e executada somente com esse instrumento, ter sofrido tantas críticas não favoráveis a ela.
Alguns críticos a chamaram de "Pavana morta para um princesa" , a acharam sem graça e desprovida de ousadia.
È uma obra impressionista.
Como o tempo é o senhor da razão e o gosto musical vai mudando através dele, essa peça é uma das mais executadas e conhecidas obras de Ravel , junto com seu também famosissimo Bolero.

"De origem espanhola a pavana é uma das danças de corte que mais foram cultivadas nos séculos XVI e XVII. É uma dança de movimento lento e imponente"




Essa obra Ravel dedicou a sua mecenas a filha do inventor das máquinas Singer (Princesa de Polinac)




Saturday, January 31, 2009

Agradecendo...



Olhando o grafico do mapinha mundi que há no fim da página de meu blog, vi que tive
entre 14 de Janeiro até hoje dia 01 de fevereiro 2.057 visitas.
Agradeço a todos que por aqui passam.
Sei que alguns são leitores assíduos,mesmo que por falta de tempo esteja demorando em fazer novas postagens.
Obrigada pelo carinho.Beijos da Nana!!

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Argentina (AR) 5
Mexico (MX) 5
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Mozambique (MZ) 4
Netherlands (NL) 4
Japan (JP) 3
Sweden (SE) 3
Colombia (CO) 3
Greece (GR) 3
Venezuela (VE) 2
Latvia (LV) 2
Slovakia (SK) 2
Ireland (IE) 2
Europe (EU) 2
Cape Verde (CV) 2
Poland (PL) 2
Bulgaria (BG) 2
Finland (FI) 1
Hungary (HU) 1
Norway (NO) 1
Austria (AT) 1
Belgium (BE) 1
Czech Republic (CZ) 1
Luxembourg (LU) 1
Albania (AL) 1
Panama (PA) 1
Thailand (TH) 1
Kenya (KE) 1
Angola (AO) 1
Australia (AU) 1
Chile (CL) 1
Peru (PE) 1
Guatemala (GT) 1
Dominican Republic (DO) 1
Georgia (GE) 1
Macedonia (MK) 1
Serbia (RS) 1
Korea, Republic of (KR) 1
Tunisia (TN) 1
Taiwan (TW) 1
Israel (IL) 1
Croatia (HR) 1

para alegrar o dia, deixo com voces colagens que fiz do meu gatinho, O Ramses...





Ramses o gato,The cat, Le chat...
Meawwww!!

Friday, November 14, 2008

A MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

The girl with a pearl earring - (Meisje preenchidas de Parel) c.1665-1667. Óleo sobre tela. 18 1/4 x 15 3/4 polegadas (46,5 x 40 cm). Mauritshuis, Haia.


Trata-se da obra mais conhecida de Vermee e foi restaurada em 1994.
Possui beleza atemporal.
Observe a posição da cabeça, a sua pureza, a frescura, radiância, sensualidade. São características evidentes da digital artística de Vermeer.
Na verdade a obra nos dá a impressão de que Vermeer afirma em forma de imagem que a A moça é uma pérola.
Ela brilha em contraste com o fundo negro. Provoca o olhar do espectador,é despojada, sem proteção das emoções humanas, possui intensidade erótica ,é tão humana e simples.
O relacionamento maior esta em admirar esta imagem, não importa ainda que envolva em mistérios quanto à origem da modelo ou a intenção do autor.

A obra na moldura
1665- 1667
oil on canvas
18 1/4 x 15 1/4 in. Dimensões (46.5 x 40 cm.)
Maurithuis, The Hague

O efeito de brilho nas roupas e nos lábios são características marcantes em Vermeer. Há o mesmo brilho nos lábios em A Moça com chapéu vermelho.
Os sinais e os padrões deixados pelo pintor são tão convincentes que, embora possa haver a questão da identidade, questionar sua autenticidade, o mundo parece ter se transformado em pintura e Vermeer tornou-se indiscutível o seu mestre.O turbante foi pintado com azul ultramar e, lápis lazuli, detalhe interessante, pois não era comum o uso desses tons por seus contemporâneos, visto que eram muito caros e raros. A pérola na iconografia simboliza a virgindade A da obra é de formato de gota, pois era moda entre as senhoras nesse período da história.
Devido à situação econômica de Vermeer, há especulação sobre a pérola ser artificial, pois foi nesse período que M. Jacquin havia inventado as pérolas de vidro com tecnologia trazida do oriente, mas esse detalhe em nada ofusca o brilho que o artista conseguiu nessa obra.
Há ousados empastos ou sobreposições de tinta branca, representado algum tipo de vestuário usado sob a roupa caipira de cor amarelo ocre. Suspeita-se que seja um tipo de roupa íntima desgastada, usada pela modelo de Vermeer. Com o tempo e provavelmente com as restaurações, infelizmente tem perdido muito o seu devido caráter e textura, pois são usados ferros quentes para o realinhamento das fibras da tela. O sobretudo amarelo ocre usado pela menina é único na obra de Vermeer e é, provavelmente, criação do pintor.
A capa envolve os ombros da moça e não é vestuário habitual naqueles tempos.
É um vestido especial, incomum, diferente e de cor atrativa. É como se fosse uma fantasia dessas que crianças gostam de vestir

Bem como outros pintores europeus, Vermeer desfrutava do mesmo gosto em introduzir uma nota exótica em suas pinturas e congratulou-se com a possibilidade de mostrar em seu processo criativo o uso desse turbante incomum.
Pode-se fazer um paralelo com Michael Sweerts, um pintor flamengo que trabalhou fora dos Países Baixos, em lugares como a Itália, Síria e Índia(Goa) como um missionário, e trouxe na bagagem elementos imagéticos de outras terras. Em Um rapaz vestindo um turbante e segurando um ramo de flores, tem-se um excelente exemplo de utilização de elementos exóticos e com cores bem semelhantes às da Moça com brinco de pérola de Vermeer.



Michael Sweerts- O rapaz de turbante com ramo de flores





Nana com brinco de pérola-Imagem manipulada digitalmente .
Falando em pérolas, aguardem a proxima postagem especificamente sobre as pérolas nas pinturas de Vermeer...



Fontes:WESTERMANN, Mariët. O holandês Vermeer. Madri: 2003. P. 286.

STEADMAN, Philip. Vermeer's Camera: Descobrindo a Verdade Atrás dos Mestres. Oxford: 2001.

Ibid. Lawrence Gowing. Vermeer. Londres: 1952.

KOONGSBERGER, Hans e os editores da Time-Life Livros. O Mundo de Vermeer: 1632-1657. New York: 1967. P. 141.

VERGARA, Lisa. Perspectivas da Mulher na Arte de Vermeer. In The Cambridge Companion para Vermeer, editado por Wayne Franits. 2000.

LIEDTKE, Walter. Ensaio Temático: Johannes Vermeer (1632-1675).