Wednesday, November 16, 2011

O Olho que ri

 
                                           “O que vemos só vale- só vive- em nossos olhos pelo que nos olha”.
                                                               Georges Didi-Huberman



Um bom exemplo do humor inserido nas pinturas de Brueguel esta na Obra “Provérbios Flamengos” pintado por volta de 1559. Cada imagem obra produzida por Bruegel, é mergulho a outras obras dentro da obra, na qual se busca de detectar nos riquíssimos elementos distintivos da pintura todos os detalhes, todos os símbolos ali inseridos. Assim acontece com os “Provérbios Flamengos”. Cujos ditos populares ali inseridos e retratados, chegaram com poucas modificações e ainda freqüentemente utilizado nos ditos populares do cotidiano do homem pós-moderno..
                                            “ Provérbios Flamengos” pintado por volta de 1559
Em um dos fragmentos da obra há duas pessoas com as nádegas exposta para fora de uma janela defecando juntos pelo mesmo orifício anal. Os provérbios pode ser esse: 

                                           Detalhe de” Provérbios Flamengos” de Peter Burguel.
"Eles defecam pelo mesmo ânus" dito popular cheio de ousadia e escárnio, e em livre interpretação pode quem sabe se referir as pessoas que pensam da mesma forma, ligadas intimamente por algum motivo ou ideal, inseparáveis, aliadas, em uma adaptação mais próxima ao nosso tempo seria: “Eles são como carne e unha”.

Há sorrisos eternizados sem que um movimento de lábios tenha sido usado. São os olhares sorridentes, tão perturbadores quanto os risos labiais. Didi-Huberman, descreve sobre um “jogo entre passado e presente, as imagens são atravessadas por uma memória, “memória que jamais saberá por inteiro o que acumula”. DIDI-HUBERMAN (1998, p.115).
 
                                                Bartolomé Esteban Perez Murillo – Sevilha (1618 a 1682) pintor barroco espanhol.

Percebe-se nesses olhares sorridentes da menina e sua ama, que em vão tenta esconder seu sorriso e é denunciada pelos olhos, Essa obra foi pintada por Esteban Murillo, do Barroco espanhol, é esse jogo descrito por Didi-Huberman, algo que provoca uma sensação de reciprocidade de olhares. È como se a obra sorrisse de e para o observador, como se soubesse de algum segredo do observador que busca descobrir o segredo ou memória que a obra reserva em seu silencio bidimensional. Como se a obra fizesse parte de um jogo de dissimular uma lembrança e ao mesmo tempo o de desvendar a lembrança do espectador.

“O ato de ver não é o ato de uma máquina de perceber o real enquanto composto de evidências tautológicas. O ato de dar a ver não é o ato de dar evidências visíveis a pares de olhos que se apoderam unilateralmente do “dom visual” para se satisfazer unilateralmente com ele. Dar a ver é sempre inquietar o ver, em seu ato, em seu sujeito. Ver é sempre uma operação de sujeito,portanto uma operação fendida, inquieta, agitada, aberta. Todo olho traz consigo sua névoa, alem das informações de que poderia num certo momento julgar-se o detentor.” DIDI-HUBERMAN (1998, p.77)


Francisco José de Goya pintor Espanhol nascido em 1746 foi processado pela corte por ter julgado suas sensuais “Majas” pintadas entre 1800 e 1803 como obras que ofendiam as normas de moral de sua época. Maja era uma expressão usada para mulheres que levavam a vida de forma mais liberal e que pertenciam à classe social menos abastada e com pouca instrução. A moça que serviu de modelo é desconhecida, mas há quem a julgue com característica de uma cigana. Goya ao pintar as duas obras parece ter vestido a Maja nua com perfeição técnica e anatômica ao passo que desnudou a Maja vestida com gestual solto, dando aspectos esvoaçantes nos trajes da modelo.

A luz do pensamento de DIDI-HUBERMAN, ponderando sobre a memória que há nas imagens e na reciprocidade de olhares que há entre a obra e o expectador, pode se observar o jogo de olhares sorridentes que as” Majas “fazem com que as olha. Elas parecem sorrir de algo que foge a compreensão de quem as observa por isso por vezes perturba, por vezes atrai. Por um momento  pode quem sabe  narrar de forma critica ou denunciadora sobre a vida em que estavam inseridas, da ironia dos que as procuravam mas  as  excluíam da vida social.
Pode estar  rindo da sua própria condição de mulher ou quem sabe do expectador que  tenta adivinhar o que esta escondendo olhar que sorri.
Jean Honore Fragonard-A Moça brincando com o cão.
Honore Fragonard (1732-1806) França- Contemporâneo de Goya é muito conhecido por pintar a alegria, cenários repletos de romantismo de uma vida fútil e volúvel que a sociedade vivia e ele presenciou. A frivolidade seria a nota alta desse período denominado Rococó estilo ligado principalmente à ordem estética na arquitetura e mobiliário. Para as artes plásticas não é considerado um período estético dos melhores porque a revolução em 1879 arruinou financeiramente com os Franceses. Fragonard pintou bastante e deixou um acervo significativo de obras. Se comparados  os olhares e sorrisos  provocativos e direcionados para o observador  das  Majas  de Goya  a obra A moça brincando com o cão , de Fragonard que  parece estar  alheia a quem a observa não deixa de criar uma tensão  entre o olhar  de quem observa e  o olhar  em cumplicidade das personagens  na obra.
O estado de alegria, satisfação e relaxamento em que esta a menina e seu cão, também convidam o espectador a participar do momento. Há uma espécie de luz que envolve o momento em que foi pintada a cena e o que o observador se depara com a obra. A imagens são como luz que leva ao pensamento instintivo, inconsciente do ser humano nele existente, transversalmente a percepção intelectual de um “sintoma da memória”. o autor compreende que a representação que se forma no espírito de uma construção  na qual as imagens  se desnudam em suas  latências e alicerce.O espaço que  manifesta-se da justaposição de imagens do cruzamento entre o visível e o invisivel  é o campo onde acontece o conjunto de princípios e processos e  influência recíproca entre  o que é significante e o significado.
 Por Eliana Lopes de Andrade -Arte educadora.




Sunday, August 07, 2011

O singular Eric Satie

        O singular Eric Satie 
       


Para entrar no clima da postagem de hoje, clique  no video e  relaxe..



Eric foi um  homem de baixa estatura, cujo guarda roupa era composto de 13 ternos de veludo cinza, todos  do mesmo modelo.
Tinha obsessão por comida branca e  tinha fases  que só se alimentava delas : arroz, clara de ovo, coco, peixe, nabo, queijo,entre outras.
Usava um chapéu coco ,cartolas e possuía coleção de cachecóis e guarda-chuvas .
Era extravagante,original,alternativo.
Amava  estar entre os mambembes,trapezistas,clowns ,poetas.
Era um sujeito estranho com manias estranhas,genial,sintético,irreverente,brincalhão,irônico,sarcástico... 


             Gymnopédie-Música para a alma respirar

Quem ouve a primeira vez  Gymnopédie de Eric Satie  , que originalmente foi composta para piano, jamais poderá imaginar que alguém que compôs uma  musica tão suave,delicada,doce  e introspectiva, poderia ter a alma tão inquieta.
A over dose de  Gymnopédie nº I que há na caixinha de música logo no inico da postagem tem uma razão muito egoista: sou apaixonada por essa música e quero falar um pouco sobre ela e seu compositor.



Eric Satie compos 3 Gymnopédies e são músicas atemporais ,apesar de terem sidos publicadas em 1888.
Requintadas, apesar de ter uma simplicidade impressionante.  "A simplicidade é  o ultimo grau de sofisticação ", já dizia o velho Leonardo  da Vinci.O simples  é a linha  que faz a diferença entre o  gênio e as  pessoas comuns .
Essas tres musicas são carregadas de uma nostalgia que não tem explicação ,flui , desliza de modo  que me hipnotiza ,frui como  um  voo.
Outonais, as notas secas  flutuam para dentro de nossos ouvidos .
Tocadas  sem pressa uma a uma , dolorosamente ,  como se alguém estivesse somente tentando relembrar  uma  antiga melodia  perdida no tempo , aos poucos vão preeenchendo a imaginação (pelo menos a minha) .
Para mim, são músicas oníricas.
São paisagens musicais.
Gymnopédie nº 1 em especial lava a minha alma e frequentemente fico comovida ao ouvi-la.




Ouvi a Gymnopédie nº I ,minha preferida como podem notar, a primeira vez quando tinha uns quatro ou cinco anos  de idade em uma rádio que tinha uma programação de musica clássica e instrumental em Brasília.
Meus pais apesar de não terem oportunidade de estudos, tinham gosto estetico requitado,e graças aos ceus tive a oportunidade  de ouvir o que há de melhor em materia de musica de todos os generos.

Acontece que essa  melodia me infeitiçou, ficou na minha cabeça por anos  sem que eu descobrisse o compositor,qual era o nome da música .

Lembro-me que às vezes ela servia de música incidental para algum programa de tv, mas eu não conseguia descobrir de quem era a melodia...velhos  tempos   em que não existia internet, tudo era bem mais dificil.

Passaram-se os anos.
Fui apresentada  a grandes compositores clássicos, meu pai me deu meu primeiro LP de musica classic a eu  fiquei  torcendo pra que a musica estivesse entre as 12 e nada.
Eu e minha mae começamos uma coleção de discos (LP) de musica classica,entre eles descobri  Ravel  e achei  que tinha algo na musica dele que me lembrava a tal melodia, infelizmente,  nada de achá-la entre suas composições.

Encontrei com Debussy, que tinha em suas composições  uma vibração que  me conectava a linha melodica da musica misteriosa, mas não estava  entre as composições de Debussy  também .

 Então, eu, depois de muitos anos,estudante de artes visuais e curiosa por natureza, pesquisando estetica e compositores do final do sec XIX e início de sec XX fatalmente encontrei a música que tanto procurava. Ela:a Gymnopédie nº 1  de Erick Satie .


Éric Alfred Leslie Satie, ou simplesmente Eric Satie, foi um compositor e pianista francês que nasceu em Honfleur, 17 de Maio de 1866 em conseqüência da vida desregrada que teve, morreu aos 59 anos de cirrose hepática  em Paris no dia 1 de Julho de 1925.

Perdeu a mãe bem cedo, foi morar com seus avôs paternos e quando esses morreram,foi morar com seu pai e madrasta e depois  passou a morar com um tio boêmio.

Foi matriculado em uma escola de música, mas logo desistiu, pois irreverente que era não se adequou aos padrões exigidos pelos professores e era chamado de displicente, sem noção das coisas,descuidado, desatento.

Essa fuga da escola de música fez com que Eric  mais tarde fosse considerado pelso criticos um pianista medíocre se comparado com os pianistas contemporâneos dele.

 O gosto de seus  ouvintes contemporâneos estava ligado ainda  ao virtuosismo, habilidade e técnica ,como são  exigidas do instrumentista na execução das peças do período da Música Romântica, por exemplo.
Por  não se identificar com as caracteristicas românticas dos grandes mestres como  Beethoven ou dos que vieram depois como Chopin, Tchaikovsky, Felix Mendelssohn, Liszt, Grieg e Brahms, acredito que tenha rejeitado, ou se desinteressado por tantas regras  rígidas de postura ,estudos e treinos das  aulas de piano.(opinião pessoal).
                                            Debbusy e Eric Satie

Eric Satie foi amigo e contemporâneo de Ravel, Debussy e  esses se influenciaram esteticamente pela alma libertaria do amigo bem humorado.
Isso explica a  ligação  intuitiva que  eu  fazia com da musica deles com a  que eu procurava  desde criança.
                                       Eric Satie por Jean Cocteau  

Com Jean Cocteau, a quem ele conheceu em 1915,  Satie começou a trabalhar na música incidental para uma produção de Shakespeare na peça Sonho de Uma Noite de Verão 

A partir de 1916, ele e Cocteau trabalharam no ballet Parade, que foi estreada em 1917 por Sergei Diaghilev 's Ballets Russes, com cenários e figurinos de Pablo Picasso, e coreografia de Massine Léonide.

Através de Pablo Picasso Satie também conheceu outros cubistas, como Georges Braque, com quem iria trabalhar em outros projetos.

                                  Gosto dessa carinha alegre que ele tinha 


Eric Satie não se consderava um musico,  preferia ser chamado de "phonometrician", (alguém que mede sons).
Lançou um novo  olhar sobre a musica e sua função,introduziu sons inusitados  utilizando objetos do cotidiano em suas partituras.

Criou o que ele chamava de musique d'ameublement (musica de mobília). Um título bem humorado para definir o que viria a ser a musica ambiente hoje.

Até então, onde havia  exibição musical,ninguém conversava ou se movimentava, e ele fez musica para ser usada como parte do ambiente,como um objeto que complementa a decoração de uma reuniao, como as mobílias. 
Dizem que  nos primeiros experimentos da musica de mobília ele incentivava os convidados conversarem e e se locomoverem naturalmente pois  , ao começar a musica, todos paravam para prestar atenção. Para nós que estamos acostumados com música ambiente  parece engraçado,mas isso foi uma revolução  na época.
Desestruturou hábitos,função, cultura.
 Ele experimentou  a musica  e suas possibilidades , foi  depreciado pelos  criticos  "sérios" mas foi reverenciado por jovens vanguarditas, e Cocteau estava entre eles. 


“Satie é relevante? Para interessar-se por ele, é preciso ser desinteressado ,para começar a aceitar que um som é um som e um homem é um homem, desistir de ilusões sobre idéias de ordem, expressões de sentimento e todas as nossas outras armadilhas estéticas herdadas. Não é uma questão de relevância. Satie é indispensável

 (John Cage)

Para terminar,  se voce gosta de cantar como eu,  Clique Aqui, espere carregar e cante comigo esse poeminha abaixo.
    


Thursday, August 04, 2011

Querido Burle Marx

Além de paisagista, Burle Marx era musico pintor, botânico auto-didata ,desenhava jóias, gostava de cantar e receber pessoas em casa, , fazia tapeçaria. Faria 102 anos hoje, e nos deixou  como herança um patrimônio artístico/biológico/ecológico/estético/histórico  que não tem preço.

Há tanta coisa a pensar a seu respeito...

Poderia falar sobre suas pinturas, (que por sinal, sou apaixonada por elas),


Poderia falar sobre um projeto dele que o mundo todo conhece que são as ondas do calçadão de Copacabana,Linhas curvas insinuando  o movimento do  mar, pedras portuguesas nos lembrando  parte de nossas origens (acredito que seja uma praia que o mundo todo tem vontade de ir pelo menos um dia na vida.)

 Poderia falar de outros projetos que estou começando a me familiarizar como os jardins e terraços do Ministério da Educação e Saúde, do aeroporto Santos Dumont e da Associação Brasileira de Imprensa; o Largo da Carioca; a orla do Leme; os jardins suspensos do Outeiro da Glória e o Aterro do Flamengo que era uma de suas grandes paixões em termo de projetos. 
Sem falar também nos projetos em outros localidades do Brasil como por exemplo  :
Em Fortaleza 

  No Conjunto arquitetônico da Pampulha em Belo Horizonte 

 Ibirapuera,, na embaixada do Brasil nos EUA, tantas obras lindas...

Tantos projetos no Brasil e no mundo...

Poderia  falar da minha memória mais remota e afetiva dos jardins  de Burle Marx: Brasília. 
Toda  a minha existência, exceto os noves meses depois do meu  nascimento ,que vivi em Minas gerais ,e os 6 meses que moro  aqui no  Rio de Janeiro, passei em Brasília Quem passou toda sua infância,adolescência,juventude e  boa parte de sua vida adulta em Brasília tem um olhar familiar  sobre a arte moderna.Nossos olhos estão educados para as retas , curvas,para o concreto , para espaços livres e vazados e também para o verde,muito verde. Sim, passei a vida toda em um museu de arte moderna ao ar livre.
 Esse verde que nos é apresentado em Brasília é culpa do Burle Marx.

Falar sobre Brasília me emociona por infinitos motivos, nasci pouco depois que ela foi inaugurada, meu pai foi trabalhador (candango de fato) na construção da cidade, me tornei arte educadora nessa cidade, tive meus filhos, enterrei minha mãe, deixei meus parentes e amigos por la..

De todas as imagens que me encantam em Brasília, os jardins projetados por Burle Marx são com certeza uma das minhas grandes paixões visuais.
 Com sensibilidade extrema ele usava das preciosidades criadas por Deus, nossas riquezas naturais, para compor de maneira única seus quadros, seus tapetes verdes e vivos.
 A água como espelho do céu e de suas obras que interagem com arquitetura moderna e é uma constante em seus projetos, metáfora da criatura criativa que se espelha no Criador e torna-se divino, pois não há como não pensar no toque de algo superior, em coisas além do terreno, ao observar um jardim projetado com tanta beleza. 
.

Foi Burle Marx   quem trouxe a flora brasileira mais próximo de nós,  ate então os  jardins  eram projetados com inspiração européia., que eram de manutenção dispendiosa , devido aos cuidados extras por fatores climaticos, pestes,fungos e também nos distanciava de nossa origem tupiniquim.

Burle Marx, trouxe o rupestre, o natural, nossa identidade vegetal para locais requintados, sofisticados, vitrines para o mundo, como os palácios de Brasília por exemplo. Uma riqueza sem tamanho.

 Hoje, tenho a oportunidade de morar do lado extremamente ecológico do Rio de Janeiro, já ouvi de varios  cariocas  talvez desinformados sobre a propria cidade,  quem sabe  preconceituosos ou  bairristas , dizer que esse lado de cá do Rio, não  é Rio de Janeiro, talvez porque não tenha a ferveção do Rio antigo, nem o burburinho das favelas, nem a agitação cultural da zona sul, nada do que realmente costumamos ver pela TV.

Mas, eu a cada dia afirmo: estão completamente enganados, aqui é   a face verde doRio de Janeiro os cariocas precisam explorar mais esse lado de sua cidade e deixar o lhar descansar sobre ele...Burle Marx  que amava o Brasil , sobretudo o Rio de Janeiro como um todo, entendia  , cuidou e pertenceu  também  a esse pedaç de chão.
Eu também começo  a pertencer a esse pedaço de Brasil .

O Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca possuem uma extensa rede de reservas biológicas importantíssimas para a saúde ambiental do Rio de Janeiro, há 12 km de casa temos o bosque da barra, reserva de marapendi.,há 1 km o parque Chico Mendes, a menos de 8 km, reserva da praiinha, reserva de grumari,horto das palmeiras.. Quando penso nesses locais  me faz sentir presenteada por Deus todo dia . Burle Marx sabia disso.

Candanga mineira  que sou, me identifico  muito com  a natureza , com a calmaria,com locias  menso tumultuados que  dão espaço para pensar.
As linhas retas e largas  da Avenida das Américas, os prédios baixos  do Recreio que  lembram   os edifícios das nossas “asas” em Brasília,a Barra lembra  muito o sudoeste, águas claras, só que na beira do mar.

Fico encantada  ainda  ao olhar pela janela e ver a linha do mar.
A silueta da  Serra da Grota funda no meu horizonte  é tão estranha... é ai que  caio na realidade e  a paisagem grita:Você saiu de  Brasília, não esta mais no Planalto Central.

Brasília me pertence como eu a ela,e como nada no mundo é por acaso , há  poucos kilometros de casa temos uma  joia de Burle Marx.
Quero deixar registrado meu amor pelas obras de arte vivas: os jardins projetados por Burle Marx.
Mas quero mais que tudo louvar o humano Burle Marx .

Burle Marx se mudou em 1972 para um terreno adquirido por ele em 1949, na época se chamava sítio Antônio da Bica, localizado em Barra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foi nesse local que o artista passou a se dedicar a pintura e a colecionar obras de arte. Ao longo de mais de 20 anos, cultivou e colecionou 3,5 mil espécies de plantas do mundo inteiro.

Alguém tão sensível assim não se prende ao material e a propriedade foi doada em 1985 ao governo federal pelo próprio Burle Marx, que sonhava criar ali uma escola para jardineiros e botânicos e abrir o sítio à visitação pública. Acho isso lindo!


Ele morreu em 1994, quando tinha 82 anos de idade, e seu grande sonho vira realidade. O sítio foi rebatizado com o seu nome e atualmente recebe visitantes do Brasil e de diversos outros países interessados em conhecer melhor a obra e paixões de Burle Marx.

O sítio Burle Marx está impregnado da alma criadora do artista .Em todos os cantos, em todas as plantas em todos os jardins. Com sua generosidade e amor a natureza a arte a ao ser humano livrou do extermínio varias espécies da botânica brasileira. 

Somos muito as coisas que   nos cerca, o meio  no qual vivemos, as experiências que passamos ou provocamos 
Quem sabe se nos aproximarmos mais das  coisas vivas, da arte.
Quem sabe se parassemos alguns minutos do dia para  cuidar de uma planta, alimentar um animal, brincar com uma criança, ouvir o que o idoso tem a dizer, observar o ciclo  da vida , nos tornariamos  mais humanos e menos violentos e amargurados..
Se isso não é estar perto de Deus , não sei o que pode ser...
Viva Burle Marx, eternizado em paisagens, viveu de forma que  antecipou  para nós  fragmentos de imagens dos jardins do Céu..

Thursday, July 07, 2011

As maneiras do Maneirismo

O Maneirismo-1520 a 1610

Compreende – se por Maneirismo o momento em que há a decadência do Renascimento Clássico, quando este entra em crise. 


The Disrobing of Christ (El Espolio)
1577-79
Oil on canvas, 285 x 173 cm
Sacristy of the Cathedral, Toledo

Há quem considere que o Maneirismo seja somente uma passagem de tempo entre a Alta Renascença e o Barroco, outros consideram esse período como movimento estético que ocorre quase que paralelamente ao renascimento onde há um do modo ou maneira pessoal do autor de fazer sua arte.
Estilização com exageros, um afastamento dos modelos da antiga Grécia, fonte estética onde bebia os renascentistas, extrapolando assim de forma caprichosa as rígidas linhas dos cânones clássicos.
A grande disputa entre a Igreja católica e a reforma de Lutero é fonte de inspiração para esse período, cujo momento é de grande desolação na Europa. Estilização, sobriedade, introspecção e distanciamento da realidade física e do mundo sensorial marcam a estética maneirista fazendo um contraponto com o barroco que é sensorial e naturalista. 
O maneirismo carrega em si elementos entrelaçados tanto do renascimento quanto do barroco.
Na pintura, as principais características do maneirismo são composições feitas em boa parte com temas sacros de forma que uma multidão de elementos figurativos é comprimida em espaços arquitetônicos reduzidos. 
                                                                   The Pentecost   1596-1600
                                                                                         Oil on canvas, 275 x 127 cm
                                                                                             Museo del Prado, Madrid


Isso acaba por formar planos paralelos, irreais, com proporções estranhas dando uma tensão especial a obra. 
 
                                      Laocoön (detail) 1610
                                                                 Oil on canvas
                                                 National Gallery of Art, Washington
Quanto aos corpos, há uma preferência por uma estética mais alongada e esguia onde os músculos fazem contorções absolutamente inapropriadas para qualquer ser humano deixando assim de lado em definitivo os corpos bem torneados e perfeitos do Renascimento.
                                               The Opening of the Fifth Seal (detail) 1608-14
                                                                                                          Oil on canvas
                                                                                 Metropolitan Museum of Art, New York

A luz é aprisionada sobre os objetos e figuras de forma que produzem sombras inaceitáveis e pessoas com rostos tristes e enigmáticos emergem entre roupas com colorido pomposo e drapeados pintados com minúcias de detalhes. 

An Allegory with a Boy Lighting a Candle in the Company of an Ape and a Fool (Fábula)
1577-79
Oil on canvas, 65 x 90 cm
Private collection
Os temas mais comuns tinham elementos como o engano e o desengano da vida, a transitoriedade das coisas humanas e terrenas, o gosto pelo contraste, metáforas, inclinação pelo surpreendente afeição pela intensidade. 
  
St Sebastian
1577-78
Oil on canvas, 191 x 152 cm
Museo Catedralicio, Palencia


O principal artista foi El Greco -Doménikos Theotokópoulos (em grego: Δομήνικος Θεοτοκόπουλος), mais conhecido como El Greco, ("O Grego") (Fodele, Iráclio, 1541 — Toledo, 7 de abril de 1614) , Ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura veneziana e a religiosidade espanhola. 
Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. 
De acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas obras. 
                                                   The Purification of the Temple (detail) c. 1570
                                                                             Oil on poplar panel
                                                                                       National Gallery of Art, Washington
Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Filipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. 
Entre suas obras mais importantes estão :
O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. 

Homem com a Mão no Peito

 O Sonho de Filipe II 

 O Martírio de São Maurício. Esta última lhe custou à expulsão da corte.
                              The Martyrdom of St Maurice (detail) 1580-81
                                                         Oil on canvas, detail size 125 x 103 cm
                                                                   Chapter House, Monasterio de San Lorenzo, El Escorial
The Martyrdom of St Maurice and his Legions (detail) 1580-81 Oil on canvas
                                       Chapter House, Monasterio de San Lorenzo, El Escorial
Na escultura, o maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas clássicas soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. 




The Risen Christ
1595-98
Polychrome wood, height: 45 cm
Hospital Tavera, Toledo

Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista. 
As principais características da escultura maneirista são a apresentação de um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras, num equilíbrio aparentemente frágil, as figuras são unidas por contorções extremadas e exagerado alongamento dos músculos. 
 O Rapto da Sabina (1582) de Giambologna-Florença
1529-1608



Assim como na pintura,figuras enlaçadas, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto.

 Na proxima postagem - O Barroco 



Fontes Bibliográfias

GOMBRICH, Ernest Hans Josef. A História da Arte. Tradução de Álvaro Cabral. 4ª ed. Rio de janeiro. Zarar Editores, 1985.

CHENEY, Sheldon. História da Arte. Tradução de Sérgio Milliet. Volume III, 1ª ed. São Paulo. Editora Rideel Ltda, 1995.

BECKETT, Wendy. História da Pintura. Tradução de Mário Vilela. 1ª ed. São Paulo. Editora Àtica, 1997.

CUMMING, Robert. Para Entender de Arte. Tradução de Isa Mara Lando. 1ª ed. São Paulo. Editora Àtica, 1995.

KITSON, Michael, História da Arte, Courtauld Institute of Art, University of London, Londres.
Fonte: A Enciclopédia Multimídia Grolier, Release # 9-01, © 1997.
Bibliografia: Germain Bazin, barroco e rococó (1985); Edmond e Jules de Goncourt, L’art au dixhuitieme siècle (1880-82; trans. Pintores como o francês Século XVIII, 1948); Eberhard Hempel, Arquitetura e Arte Barroca na Europa Central (1965); Erich Hubala, barroco e rococó Arte (1989); Stephen Jones, do século XVIII (1985); WG Kalnein e Michael Levey, Arte e Arquitectura do Século XVIII na França (1972); Fiske Kimball, a criação de o Rococó (1943; repr. 1965); Michael Kitson, A Idade da Barroca (3d ed., 1976); Michael Levey, Rococó a Revolução (1966; repr. 1985); John L. Varriano, italiano barroco e rococó Arquitetura ( 1986).

http://www.discoverfrance.net/France/Art/rococo.shtml

Fonte de imagens:

http://www.wga.hu/

Friday, June 03, 2011

“É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma”.





Essa frase é uma  citação que Calvino faz de Paul Valéry em  seu ensaio "Seis Propostas para o Próximo Milênio " quando ele argumenta sobre  a leveza...

Leveza:Esse tema me persegue... Busco a leveza espiritual, estética  em meus trabalhos e  em tudo que faço.Busco a leveza  física também (coisas de gordinha que luta com a tireoide  tímida ,hahaha).

Acredito que seja mais fácil viver quando se encontra  um modo leve de ver e lidar com  as coisas.

Calvino  dizia que  só  conhece a leveza quem sabe o valor do peso...

Calvino entendia que  a  leveza é uma conquista  pois nesse mundo tão tenso,intenso , denso ,  tudo tende  a nos levar para baixo, inclusive por razões  fisicas, não podemos  esquecer da gravidade.

Então, ancorados   por todo esse peso ,encontrar a leveza é como  Oasis no deserto.

No campo das artes  visuais  a busca,pesquisa, de matériais expressivos é outra questão minha e  acredito que de todo artista plastico contemporâneo.

Encontrar em matériais do cotidiano, maneiras inusitadas  de expressão é um grande achado estético.

Hoje vou mostrar para vocês  o que um artista contemporâneo  faz com arame galvanizado e tela para  galinheiro..

Ele utiliza um  material incisivo, vazado,frio,banal  e com talento, paciência,técnica e leveza,  manipula esse material e cria um universo etéreo.A delicadeza encontrada nessas esculturas me encantaram ,  por vezes parece  que vão se dissolver a qualquer momentos,efémeras como  bolhas de sabão.Fugaz  como a vida.

Há  tanta poesia  nessas peças, possuem uma deslumbrante  trasnparencia., é extremamente interessante o modo em que são instaladas .
Gosto do movimento dos corpos  que surgem  da matéria aramada, modelada com muita técnica , cuidado  e suavidade .


O nome do artista é Derek Kinzett. Artista Contemporâneo  nasceu em 1966

Escultor ,Derek Kinzett passou a maior parte de sua infância no interior da propriedade, da pitoresca Dodington Park, em Gloucestershire (é um condado no sudoeste da Inglaterra) desenvolveu a sua inspiração na  deslumbrante  e bucólica paisagem e vida selvagem que o rodeava.

EM 1977, Derek se mudou com sua família para Wiltshire , e completou seus estudos na Art & Design, em 1984, especializando-se em escultura e desenho tridimensional.

Após receber o  diploma em Arte e Design ,Derek inicialmente focou no trabalho em cera e depois evoluíram para  a manipulaçãos dos metais galvanizados.

È apaixonado pela escultura .

Em  2004 lançou sua coleção de esculturas  "The Inner Spirit Collection 'no Jardim Nacional Show, em Somerset esculturas de tamanho natural.

Segundo o seu site,AQUI o trabalho de Derek ganhou reconhecimento e respeito pela sua complexidade e detalhamento nos trabalhos e vem recebendo encomendas de clientes como Tim Green da Tate Gallery, EthanSenhor Stewart e o ator Nicolas Cage.

Recentemente  o artista concluiu seu mandato como Artista Residente em NewsteadAbbey, em Nottingham, em 2009.

Ele completou quatro esculturas em arame especialmente encomendada para  a Abadia Rose Garden.
Há um outro escultor que trabalha com o mesmo material. .Se chama Ivan Lovatt  AQUI  . 
Chico Buarque e Edu Lobo fizeram uma linda  trilha para uma peça de teatro chamada Cambaio e há uma musica  que é a minha preferida do Chico. A musica se chama :Cantiga de acordar" e ela tem um emaranhado de textos, cada cantor tem um poema   que são cantados  simultaneamente ,intercalados e  vão  tecendo um cenario ao longo da canção   e no final se fundem e se dissolvem... O mesmo toque onírico ,etéreo, transparente, leve,das tramas das  esculturas .
Para  os que amam essa música como eu, e para os que não conhecem a canção  ,fiz um videozinho de presente  de fim de semana !

Deem  uma olhada nos links e façam uma comparação entre os trabalhos  dos dois  escultores.
Não se esqueçam de deixar  suas impressões, eu gosto de saber oq ue acharam do trabalho do artista.
.Comentem crianças!!.Obrigada. Beijos da Nana .